na semana passada, depois de ter regressado ao trabalho, e com 3 kilos a menos, triste e desanimada, o meu chefe ( que sempre foi muito meu amigo) quis ter uma conversinha comigo.
falamos das suas recentes férias, e mais coisas banais, sem interesse. mas o ambiente estava pesado, diferente do normal. foi então que tivemos a nossa tète à tète.
falo consigo como amigo e não como patrão. é que gosto muito de si , sabe disso não sabe….
pois bem, resumindo e concluindo, este meu amigo pediu-me para o informar quando planeasse ter um filho. eu compreendo que no meu departamento estou sozinha, e que este ano é o culminar de vários projectos e que sou eu quem dá a cara. mas… pois…quer dizer, é uma questão muito intima. olhe ontem à noite fiz amor com o meu marido, vamos la ver se foi tiro e queda… enfim!
sou uma aposta forte dele, e que ainda não está confirmada. mas e a minha vida fica em stand by até se confirmar a aposta??
vamos assumir que o informo sobre a minha vontade de ter um filho. depois de algumas tentativas e esperas, lá vem a criança. não subo tanto na empresa como estava previsto, mas tenho um filho para me consolar. depois lá vem outro bebé e por aí em diante. a minha carreira profissional está em velocidade moderada, abrandada, e a do meu marido vai de vento em popa. passam-se 10 anos, 15 anos e divorciamos-nos. com o que é que fico? uma vida a dois, filhos e uma carreira desaparecida?
os homens não têm estes tipos de problemas. é uma injustiça. durante a nossa conversinha, perguntei se o N.( colaborador masculino) quando decidisse ser papá, se o iria informar de tal decisão. silencio. e mais silencio.
tenho 27 anos, casada, ambição, potencial e vontade de ter sucesso. vontade de ser mãe, e de ter um Jsinho igual ao meu marido. sonhos incompatíveis e mutuamente exclusivos.
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