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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008- Resposta da amiga desaparecida…

ola querida M.
como fiquei contente por saber de ti, finalmente!!!!!
agradeço a tua confiança em mais uma vez em contares comigo.
não quero que te deixes dominar por maus pensamentos pois sabes que isso, (sendo uma característica tua e que te dominava completamente nos momentos que mais precisavas de ter lucidez) é arrasador e perfeitamente desgastante, impedindo de percepcionares os factos tais como são na realidade. Essas situações são naturais acontecer sendo preferível assim, que teres um bebe com problemas. Deves ver o contrário da situação e estar grata por a natureza se encarregar de te ajudar. Tens bastante tempo para ter um pequenote à tua volta.
O J nunca em situação alguma pode atribuir-te culpas por este facto. Cansar-se de ti?!? não sei porque o dizes mas presumo que será por tu próprias te estares sp a culpar, o que não o deves fazer., naturalmente!!!!!Tu és uma pessoa fantástica e cheia de vida, chama as energias positivas para ti.
O que aconteceu é um assunto pelo qual tu não deves insistir pela via negativa. Já está. Acabou. O que abortaste foi , imaginariamente, o teu sonho de bebé e sonhos podes ter tantos qts quiseres….ok?
Assim, nem tu te martirizas nem ele fica triste de te ver em baixo. Aceita as coisas dando a volta, M. já passaste um bocado mau e deverás saber que afinal tudo se resolve.
Goza bem a vida a dois enquanto puderes. Depois se um bebé resolver entrar na tua vida, vais ver como ele aparecerá.
bjs
saudadinhas
O.

Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008 – Carta a amiga desaparecida

Olá, espero que esteja tudo bem consigo.
Comigo, cá vamos. É verdade que não temos mantido contacto. Não sei bem porquê, mas talvez a rotina do dia-a-dia tenha se metido no meio. Tenho pena que só falamos ocasionalmente.
Comigo as coisas poderiam estar a ir melhor.

Fazemos 2 anos de casados em Setembro, o que é muito bom, e tudo entre nós corre bem. Vamos mudar de casa nas próximas duas semanas. O que também é bom. Fui promovida e aumentada e o J também. É óptimo.
Em Novembro \Dezembro decidimos ter um bebé. E para meu grande espanto (devido ao facto de ter só demorado 2 meses), em Fevereiro, na segunda-feira de Carnaval, fiz um teste de gravidez e deu positivo. Foi uma alegria contagiante. Os nossos pais estavam felizes e nós também. No domingo seguinte, sem aviso, sem indicações, sem alertas, comecei a perder muito sangue, e na segunda-feira o médico confirmou os nossos receios. Fez hoje uma semana, que estou de baixa em casa, (amanha já volto ao trabalho) mas estou muito triste.

Eu sei que é comum isto acontecer, eu sei que existem muitos casos assim e piores. Eu sei disso tudo mas mesmo assim não serve de conforto. É daquelas coisas que só acontece aos outros e nunca a nós. O J tem sido fenomenal. Embora esteja triste, ele tem sido fantástico comigo. Não sei o que seria de mim sem ele, e temo que interiormente ele me culpabilize. Eu sei que a culpa não foi minha, mas mesmo assim preciso de saber as razões exactas e não ficar com esta dúvida. Toda a gente diz que compreende e imagina como me sinto. Não fazem ideia.

O médico recomenda tentar engravidar daqui a dos meses. Mas nem mesmo ele consegue garantir que não vai voltar a acontecer. Tenho tanto medo de que se repita, que demore anos a engravidar, que não consiga mais engravidar. Enfim, tudo é negro. O J acredita que vai correr tudo bem da próxima vez, mas ele também acreditava isso da última vez. Tenho ouvido tantas histórias sobre abortos consecutivos, 2, 3, 4 e tenho tanto tanto medo que isso aconteça. Não consigo pensar em reviver uma outra situação semelhante.

Acho que precisava de falar com alguém. Tenho medo de estar a cansar o J.

Cumprimentos