Dantes e Agora – My baby

 

As voltas que a vida dá. Há um ano atrás andava eu a escrever aqui, sobre a minha tristeza e ansiedade. Desesperadamente tentava segurar-me de pé. Agora, passado um ano, tenho o meu bebé comigo, aqui ao meu lado, e já quase que esqueci o que se passou. Quase que esqueci. Mas não totalmente.

 

 Pensei em fechar o blog, apagá-lo. Mas não consegui. Estive a ler tudo o que escrevi, e as emoções apareceram de volta. Revivi tudo, e ainda houve tanto que não foi escrito. Foram momentos muito muito difíceis, e talvez um pouco exagerados. Mas mesmo assim muito difíceis. Exagerados porque há mulheres que passaram por tudo aquilo mais do que uma vez, e durante muitos anos. O meu desespero de tentar engravidar só durou 2 meses. Sei de historias que duram há anos, tentativas atrás de tentativas, tratamentos, enfim tudo. Tenho mesmo pena dessas mulheres, comigo imaginar o que sentem e como vivem o dia-a-dia.

Nessa altura em pus tudo em causa, a minha relação com o meu marido, a minha auto-estima, a minha segurança como mulher. Senti-me um fracasso como mulher, e só conseguia pensar nisso. Não conseguia falar com o J, e ele também não conseguia falar comigo. Sentia-me tão sozinha, tão abandonada que era difícil acordar de manha e fingir que estava tudo bem. O vazio deixado era cada vez maior e tinha-se instalado.

Hoje, estou com o meu principezinho, e com a minha vida toda alterada. Só penso nele, o dia gira á volta dele, a minha é ele.

Eu passei para segundo plano. Já passou 3 semanas desde do parto e ainda não recuperei totalmente. Ando de cinta para ver se a barriga vai ao sítio mas ainda falta um bocado. Tenho que ir ao médico ver a cicatriz, mas ainda não consegui. Sinto-me desmazelada fisicamente e alguma roupa ainda não me serve. Também só passaram 3 semanas. Acredito que não esteja muito atraente neste momento. Desconfio que tenha um bocado de depressão pós-parto. Vou esperar que isto passe.

26 Semanas

Já estou enorme, e quase a explodir. Eu acho que o médico enganou-se na data, e em vez de estar cm 26 semanas, estou na realidade com 32 semanas !!! É impossível a minha barriga crescer mais…..!

Está a correr tudo bem, tirando as coisas do costume, dores nas costas, mobilidade reduzida, alguma dificuldade em dormir etc. Mas nada de grave nem sério, o que é o mais importante. Na verdade só consigo pensar nas coisas relacionadas com o bebé. O resto passa-me ao lado, e é tão desinteressante.

Foi a minha avaliação profissional no final do ano, em Dezembro. É irónico, pois fui penalizada por estar grávida, e vou ser ainda penalizada na avaliação deste ano devido á licença de parto. Magoou-me e fiquei triste. Enfim, e depois ainda dizem que só gostam de trabalhar com mulheres, pois são mais dinâmicas e profissionais. Também foi abordado a questão do meu “problema” de Fevereiro, em que segundo foi-me transmitido, reagi de forma exagerada e intensa. Deveria ter levado a situação com menos intensidade… Pois, é fácil falar. É muito fácil dizer “ ah sofreu um aborto espontâneo, pronto, acontece a imensas mulheres. É a lei da vida. Acontece a muitas…”. mas quem sentiu fui eu, quem sofreu fui eu. O bebé era meu, e foi a minha vida que caiu, não a dos outros. É fácil falar é, quando não é connosco. Com os outros é sempre tudo relativo, e passageiro. Um outro assunto abordado foi que deveria ser mais “mulher” nas minhas atitudes. Não sei bem o que isso significa, mas tenho que aprender rapidamente. Tenho o feitio melhor do que as outras que trabalham comigo, e tento levar sempre tudo a bem, talvez seja por isso que ainda sou menina? Talvez.

Eu e o J. Nós, bem, nós. Acredito que com a minha grande barriga já não seja atraente (se bem que ele diz que gosta muito da barriguita) mas tenho saudades da nossa intimidade. Tenho saudades dos miminhos. O J é hiper atencioso comigo, está sempre preocupado se estou bem, se estou cansada, etc etc. É um amor. Mas no campo da intimidade, não estamos lá. Eu nem estou a dizer que queria ter relações com ele, mais uma vez, acredito que não esteja nos meus dias mais atractivos, mas gostava de mais intimidade, miminhos e beijinhos. Namoriscar. Li muitos caso de maridos que quando a mulher está grávida, já não se sentem atraídos e andam com outras. Tenho muito medo disso. Alias tenho medo disso em qualquer situação. Como é que lidaria como isso? E a dor?

Penso muito em como será quando o bebé nascer. Como a nossa vida vai mudar, e como vamos ter menos tempo para tudo. Será que sabemos educar uma criança? Terei dinheiro para dar-lhe tudo o que precisa e continuar viver uma vida confortável? Serei boa mãe? Será o J bom pai? E se acontece alguma coisa ao bebe? São tantas as dúvidas, mas a ansiedade de ele nascer é ainda maior. Mal aguento para pegar no meu principezinho.

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